Petrobras ergue-­se entre escombros da corrupção

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Com seu valor de mercado bastante reduzido, a Petróleo Brasileiro S.A., Petrobras, orgulho nacional, lentamente começa a se reerguer dos escombros deixados pela brutal, grosseira e sistemática corrupção que a envolveu durante muito tempo.

Tempo demais, vigarices em série, uma terra de ninguém na empresa que Getúlio Vargas criou, lembrando que dela jorrava o então “ouro negro”, hoje em queda livre, em torno de US$ 30 por barril.

Felizmente, a estatal divulgou o início das operações do navio ­plataforma (FPSO) Cidade de Maricá, na Bacia de Santos, com três semanas de antecedência em relação ao cronograma previsto anteriormente.

O primeiro poço de Lula Alto está produzindo 36 mil barris por dia, um ritmo de produção mais intenso do que a média verificada na bacia de Santos, de menos de 30 mil barris por dia. Com mais essa unidade, a camada pré-­sal das Bacias de Santos e Campos passa a responder por 35% da produção brasileira de petróleo.

A estatal informou que a consolidação da produção na Bacia de Santos, que responde por 70% da extração nesta camada, vem se dando há pouco mais de cinco anos, com uma média de instalação de uma grande plataforma a cada nove meses.

O melhor de tudo é que o desempenho da produção tem ficado entre os melhores em termos mundiais, sendo que os quatro primeiros sistemas de produção, instalados entre 2010 e 2014, permanecem produzindo praticamente a plena capacidade, com 475 mil barris diários de petróleo, mediante 19 poços produtores.

Ainda em 2016, entrarão em operação dois outros grandes sistemas definitivos de produção Lula Central (FPSO Cidade de Saquarema) e Lapa (FPSO Cidade de Caraguatatuba). A Petrobras idealizou projetos para um ambiente de negócios com o petróleo a menos de US$ 30 o barril, e por isso está preparada para enfrentar os desafios atuais, segundo seus diretores.

Neste ano, a Petrobras comemora 10 anos da descoberta de petróleo na camada do pré­-sal, que se mostra produtivo, algo que era questionado por alguns especialistas, dado o custo de produção, muito alto para um preço baixo do petróleo, como praticado hoje.

No fim de 2015, a estatal chegou a produzir 26 mil barris por poço, tendo 25 poços em atividade, um ativo que todas as companhias almejam ter. E, coroando o leque de boas notícias após quase um ano aparecendo apenas no noticiário policial, também em fevereiro a Petrobras iniciou a operação da segunda rota de escoamento do gás natural produzido no pré­-sal desta bacia, através de um gasoduto chamado Rota 2.

Com 401 quilômetros de extensão, o Rota 2 é o gasoduto submarino de maior extensão em operação no Brasil e possui capacidade para escoar diariamente 13 milhões de metros cúbicos de gás, interligando os sistemas de produção do pré-­sal da Bacia de Santos com o Terminal de Tratamento de Gás de Cabiúnas, em Macaé (RJ).

Este terminal teve sua capacidade de processamento ampliada para 28,4 milhões de metros cúbicos por dia. Isso é muito bom, para a estatal e, mais ainda, para a autoestima do povo brasileiro, abalada desde os escândalos em série sobre superfaturamentos na contratação de sondas, navios e serviços.

Com esse novo gasoduto, a capacidade total instalada de escoamento de gás natural do pré­-sal da Bacia de Santos atinge 23 milhões de metros cúbicos diários, permitindo o crescimento da produção de petróleo  e a ampliação do suprimento de gás nacional ao mercado brasileiro, consolidando a estratégia da estatal de elevar a sua participação no gás natural.

(Fonte: Jornal do Commercio, 18/02/2016)